A vida em áreas próximas aos rios e lagos em Tefé faz parte da rotina de muitas famílias do município. A água influencia o deslocamento, o acesso a serviços, a pesca, a agricultura, o comércio e a relação entre comunidades rurais e a sede municipal.
Essa forma de viver também exige cuidados específicos. O nível dos rios pode alterar o acesso às casas, escolas, unidades de saúde e áreas de produção. Durante a cheia, a água pode alcançar caminhos, quintais e moradias. Na estiagem, a distância entre as comunidades e os pontos de abastecimento pode aumentar, além de dificultar a navegação em alguns trechos.
Em Tefé, a dinâmica envolve o rio Solimões, o rio Tefé, o lago de Tefé e outros cursos d’água da região, como os rios Curumitá, Catuá, Caiambé e Jutica. Em 9 de junho de 2025, o Governo do Amazonas homologou situação de emergência no município por causa da elevação das águas e de inundações em áreas urbanas e rurais.
Como os rios e lagos influenciam a rotina
Para quem vive em comunidades ribeirinhas, o transporte geralmente depende de embarcações e das condições de navegação. O tempo de deslocamento pode variar conforme o nível da água, a distância, a velocidade da correnteza, a presença de troncos e outros obstáculos.
A variação do nível dos rios também interfere no acesso a alimentos, medicamentos, combustível e materiais escolares. Em períodos de seca, alguns trajetos ficam mais demorados ou exigem desembarque em pontos diferentes. Na cheia, por outro lado, áreas normalmente usadas como caminhos ou espaços de trabalho podem ficar alagadas.
A pesca, o cultivo de alimentos e o extrativismo também acompanham o ciclo das águas. Por isso, o planejamento das famílias precisa considerar tanto a proteção durante eventos extremos quanto a organização da produção ao longo do ano.
Cuidados durante o período de cheia
A cheia dos rios pode provocar alagamentos, isolamento temporário e danos às estruturas das casas. A primeira orientação é acompanhar comunicados da Prefeitura, da Defesa Civil e de outros órgãos públicos sobre o nível das águas, áreas de risco e medidas de assistência.
Quando a água se aproxima da moradia, documentos, medicamentos, alimentos, roupas e objetos importantes devem ser colocados em local elevado e protegido da umidade. Equipamentos elétricos precisam ser desligados se houver risco de contato com a água. Crianças não devem circular sozinhas em áreas alagadas, mesmo quando a lâmina de água parecer baixa.
Também é importante manter uma pequena reserva de itens essenciais, sempre que possível, incluindo água potável, alimentos não perecíveis, lanternas, pilhas, carregadores, produtos de higiene e medicamentos de uso contínuo. Famílias com idosos, pessoas com deficiência, gestantes ou crianças pequenas devem definir previamente quem poderá ajudar em uma eventual retirada.
O que fazer durante a estiagem
A estiagem pode reduzir o volume de rios e lagos, dificultar a navegação e afetar o abastecimento de água. A orientação é evitar o desperdício e armazenar água apenas em recipientes limpos, fechados e protegidos do sol.
Quando a água for destinada ao consumo, ela deve receber tratamento adequado conforme a orientação dos serviços de saúde. Água retirada diretamente do rio, lago ou igarapé pode conter microrganismos, resíduos e substâncias que não são visíveis. A aparência transparente não garante que seja própria para beber.
Em comunidades onde o acesso à água potável é limitado, é recomendável acompanhar as ações de distribuição e abastecimento promovidas pelo poder público. O programa estadual Água Boa já foi utilizado no Amazonas para ampliar o acesso à água tratada em comunidades ribeirinhas.
Como tornar a água mais segura para consumo
A água usada para beber, preparar alimentos e escovar os dentes deve vir de uma fonte protegida ou passar por tratamento indicado pelas autoridades de saúde. Quando houver orientação oficial para utilizar hipoclorito de sódio, a quantidade deve seguir exatamente as instruções do rótulo ou do serviço responsável.
Outra medida é ferver a água quando não houver garantia sobre a qualidade da fonte. Depois da fervura, o líquido deve ser armazenado em recipiente limpo, fechado e de uso exclusivo. Caixas, baldes e garrafas precisam ser higienizados regularmente.
Em caso de dúvida sobre a água distribuída ou captada na comunidade, o morador deve procurar a unidade básica de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde ou a equipe responsável pelo abastecimento. Não é recomendável aplicar produtos sem orientação, misturar substâncias ou usar doses diferentes das indicadas.
Saúde e prevenção de doenças
O contato com água de enchente pode aumentar o risco de doenças, especialmente quando há mistura com esgoto, lixo ou resíduos. Sempre que possível, botas, luvas e outros equipamentos de proteção devem ser usados durante a limpeza de áreas atingidas.
Depois que a água baixar, pisos, paredes, utensílios e caixas d’água precisam ser limpos e desinfetados conforme as orientações da vigilância sanitária e dos serviços de saúde. Alimentos que tiveram contato com água contaminada devem ser descartados.
A água parada também favorece a reprodução de mosquitos. Pneus, recipientes, garrafas e outros objetos que acumulem água devem ser retirados ou mantidos tampados. Febre, dores no corpo, vômitos, diarreia, lesões na pele ou outros sintomas após contato com água de enchente exigem avaliação em uma unidade de saúde.
As famílias devem manter medicamentos de uso contínuo em embalagem protegida e levar receitas ou informações sobre o tratamento em caso de deslocamento. Pessoas que fazem acompanhamento regular não devem interromper a medicação sem orientação profissional.
Segurança nas embarcações
Em áreas próximas aos rios e lagos, o barco é muitas vezes o principal meio de transporte. A embarcação deve estar em condições de uso, com combustível suficiente e equipamentos básicos de segurança. O colete salva-vidas precisa estar disponível para todos os passageiros e ser usado de maneira adequada.
O condutor deve evitar navegar em condições de baixa visibilidade, tempestade ou correnteza intensa. A lotação da embarcação não deve ser ultrapassada, e crianças precisam permanecer acompanhadas por adultos. Também é importante informar a alguém o destino e o horário previsto de retorno, principalmente em viagens para comunidades mais distantes.
Celular protegido contra água, lanterna, corda, remo auxiliar e materiais de primeiros socorros podem ajudar em situações imprevistas. O transporte de combustível deve ser feito com cuidado, em recipientes apropriados e longe de fontes de calor.
Cuidados com crianças e áreas alagadas
Rios, lagos, canais e áreas inundadas oferecem riscos de afogamento, quedas, correntezas e acidentes com animais. A água turva pode esconder buracos, cercas, galhos e outros obstáculos. Por isso, crianças não devem brincar ou nadar em locais desconhecidos ou próximos a áreas de circulação de embarcações.
Também é necessário reforçar a atenção perto de barrancos, pontes improvisadas, trapiches e passarelas. Estruturas danificadas pela força da água podem ceder sem aviso. Durante a cheia, objetos flutuantes e animais deslocados podem aparecer nas proximidades das casas.
Organização da casa e da comunidade
Medidas simples ajudam a reduzir prejuízos. Documentos pessoais podem ser guardados em embalagens impermeáveis. Alimentos e produtos de limpeza devem permanecer separados. Botijões, combustíveis, ferramentas e materiais perigosos precisam ficar em locais seguros, longe de crianças e de áreas sujeitas à inundação.
A comunidade pode organizar listas de moradores que precisam de auxílio, pontos de encontro, rotas de saída e pessoas responsáveis por transmitir alertas. Igrejas, escolas, associações comunitárias e lideranças locais podem colaborar na comunicação, desde que as informações sejam confirmadas em fontes oficiais.
Também é importante não jogar lixo em rios, lagos, igarapés ou terrenos que possam ser alcançados pela água. O descarte irregular pode obstruir passagens, contaminar fontes de abastecimento e aumentar os impactos de enchentes e estiagens.
Onde buscar informações e ajuda
Em uma situação de risco, o morador deve acompanhar os canais oficiais da Prefeitura de Tefé e da Defesa Civil do Amazonas. O plano de contingência municipal reúne medidas de prevenção, resposta e recuperação para eventos como enchentes, tempestades e outros desastres.
Em emergências, os números nacionais informados pelos órgãos públicos são: Corpo de Bombeiros, 193; Defesa Civil, 199; e Polícia Militar, 190. A ligação deve ser feita quando houver risco imediato à vida, incêndio, acidente, desaparecimento ou necessidade urgente de resgate.
Para informações sobre serviços de saúde, vacinação, tratamento da água e prevenção de doenças, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima ou a Secretaria Municipal de Saúde. Em casos de alteração no abastecimento, o morador deve buscar o serviço responsável pela água no município e informar a comunidade ou área afetada.
Viver perto da água exige planejamento
A proximidade dos rios e lagos é parte essencial da vida em Tefé, mas também exige atenção permanente às mudanças do ambiente. Conhecer o território, proteger a água para consumo, manter os documentos seguros, usar equipamentos de segurança nas embarcações e acompanhar os alertas oficiais são medidas que reduzem riscos.
O planejamento precisa considerar os dois extremos do ciclo hidrológico: a cheia, que pode atingir moradias e caminhos, e a estiagem, que pode dificultar o abastecimento, a pesca e o transporte. Com informação confiável e organização comunitária, as famílias conseguem se preparar melhor e buscar ajuda com mais rapidez quando necessário.
Para dados gerais sobre o município, população e indicadores públicos, consulte o perfil de Tefé no IBGE. Em situações de emergência, porém, as orientações mais importantes são sempre as divulgadas pelos órgãos responsáveis no momento do evento.








