sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados básicos para quem trabalha sob o sol: como proteger a saúde

Quem trabalha sob o sol deve adotar medidas simples para evitar desidratação, insolação, queimaduras e danos causados pela radiação ultravioleta. Veja como organizar a rotina, escolher roupas, usar protetor solar e reconhecer sinais de alerta.

Quem trabalha ao ar livre precisa adotar cuidados diários para reduzir os efeitos do calor e da radiação ultravioleta. A exposição prolongada ao sol pode causar desidratação, queimaduras, insolação, cansaço excessivo, lesões nos olhos e aumentar, ao longo do tempo, o risco de câncer de pele.

Esses cuidados são importantes para trabalhadores rurais, pescadores, profissionais da construção civil, agentes de saúde, vendedores, entregadores, garis, trabalhadores de manutenção e qualquer pessoa que passe boa parte da jornada em áreas externas. Em regiões quentes, como Tefé, a atenção deve fazer parte do planejamento da rotina de trabalho, e não apenas ser adotada quando surgem os primeiros sintomas.

Por que o trabalho sob o sol exige atenção

A exposição ao sol envolve dois riscos principais. O primeiro é o calor, que aumenta a perda de água e sais minerais pelo suor e pode levar à desidratação, à exaustão pelo calor e à insolação. O segundo é a radiação ultravioleta, que agride a pele e os olhos mesmo quando a pessoa não percebe uma queimadura imediata.

O Instituto Nacional de Câncer informa que a exposição solar excessiva é o principal fator de risco para o câncer de pele. O risco aumenta quando a exposição é frequente, prolongada e ocorre durante vários anos, como pode acontecer em determinadas atividades profissionais.

O céu nublado não elimina o risco. A radiação ultravioleta continua presente e pode atingir a pele mesmo sem a sensação de calor intenso. Por isso, a proteção deve ser usada durante todo o ano e sempre que houver trabalho em ambiente externo.

1. Beba água antes, durante e depois do trabalho

A hidratação deve começar antes do início da atividade. Não é recomendável esperar a sede aparecer, porque ela pode ser um sinal de que o organismo já começou a perder líquido.

  • Leve água em quantidade suficiente para toda a jornada ou verifique onde poderá reabastecer o recipiente.
  • Beba em pequenas quantidades ao longo do dia, principalmente durante períodos de esforço físico.
  • Faça pausas para beber água, mesmo quando a sede não for intensa.
  • Depois do trabalho, continue consumindo líquidos para ajudar na recuperação.
  • Evite bebidas alcoólicas durante a jornada, pois elas podem favorecer a desidratação.

Em caso de doença renal, cardíaca ou outra condição que exija controle de líquidos, a orientação deve ser individualizada por um profissional de saúde. Pessoas que usam medicamentos regularmente também devem esclarecer dúvidas sobre os efeitos do calor e da desidratação.

2. Faça pausas em locais frescos e com sombra

A sombra é uma das principais formas de reduzir a exposição direta ao sol e o acúmulo de calor no corpo. Sempre que possível, as atividades devem ser organizadas para permitir intervalos em locais cobertos, ventilados e afastados da radiação direta.

O INCA recomenda medidas como o planejamento dos horários de trabalho, a redução das atividades externas nos períodos de maior intensidade solar e a disponibilização de áreas de sombra. Toldos, marquises, coberturas e árvores podem ajudar a criar espaços de descanso, desde que ofereçam proteção adequada.

Quando a atividade permitir, tarefas mais pesadas devem ser concentradas nos horários de menor calor. A organização da jornada deve considerar o tipo de esforço, o uso de equipamentos de proteção, a ventilação do local e as condições ambientais do dia.

3. Use roupas que cubram a pele

Roupas adequadas funcionam como uma barreira importante contra a radiação solar. Camisas de mangas compridas, calças, tecidos leves e peças que permitam a circulação de ar podem proteger melhor do que deixar grande parte da pele exposta.

As roupas devem estar confortáveis e não dificultar os movimentos. Em atividades com risco de contato com produtos químicos, ferramentas, máquinas ou outros agentes, é necessário seguir as orientações de segurança específicas da função e utilizar os equipamentos indicados.

Chapéus de abas largas ajudam a proteger o rosto, as orelhas e o pescoço. Bonés comuns podem oferecer proteção limitada, principalmente para as laterais do rosto e a região posterior do pescoço. Quando houver exigência de capacete, o trabalhador deve utilizar o modelo apropriado e buscar orientação sobre como complementar a proteção solar sem comprometer a segurança.

4. Aplique o protetor solar corretamente

O protetor solar deve ser aplicado nas áreas que permanecem expostas, como rosto, orelhas, pescoço, braços e mãos. O produto precisa ser usado conforme as instruções do rótulo, antes do início da exposição.

  • Prefira produto com fator de proteção solar adequado à atividade e à orientação do fabricante.
  • Reaplique durante a exposição, especialmente após suor intenso, contato com água ou limpeza da pele.
  • Não esqueça os lábios: protetores labiais com proteção solar podem ajudar a reduzir danos nessa região.
  • Use o protetor como complemento, não como substituto de roupas, chapéu, sombra e pausas.
  • Evite aplicar produtos vencidos ou armazenados de maneira inadequada, como em locais excessivamente quentes.

O Ministério da Saúde destaca que a proteção deve incluir roupas, chapéus, óculos com proteção ultravioleta e áreas cobertas. Em atividades externas, a combinação de barreiras físicas com filtro solar é mais segura do que depender apenas do creme.

5. Proteja os olhos e o rosto

A radiação solar também pode causar danos aos olhos. Óculos de segurança ou óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta devem ser escolhidos de acordo com a atividade profissional. Em trabalhos que envolvam poeira, partículas, produtos químicos ou risco de impacto, o equipamento precisa atender às exigências de segurança da função.

Além dos olhos, é importante proteger o rosto, as orelhas, a nuca e as mãos, regiões frequentemente esquecidas. A exposição repetida pode provocar manchas, envelhecimento precoce da pele e lesões que precisam ser avaliadas.

6. Reconheça os sinais de desidratação e exaustão

O corpo pode apresentar sinais de que o calor está afetando a saúde antes de uma situação grave. Dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, irritabilidade, sede intensa, suor excessivo e redução da urina podem indicar exaustão pelo calor ou desidratação.

Ao notar esses sintomas, a pessoa deve interromper a atividade, ir para um local fresco e ventilado, retirar peças desnecessárias de roupa, resfriar o corpo e beber água em pequenos goles, se estiver consciente e capaz de engolir. Também é importante avisar um colega, supervisor ou responsável, evitando permanecer sozinho.

Não se deve insistir no trabalho para “terminar rapidamente” quando há tontura, fraqueza ou confusão. A continuidade do esforço pode agravar o quadro e aumentar o risco de quedas, acidentes e problemas de saúde.

7. Saiba identificar uma emergência

A insolação é uma condição grave e pode ser fatal. Confusão mental, desmaio, convulsão, fala alterada, comportamento incomum, temperatura corporal muito elevada, pele muito quente e perda de consciência são sinais de emergência.

Nessas situações, acione imediatamente o serviço de emergência, leve a pessoa para um local fresco e inicie o resfriamento enquanto aguarda atendimento. Retire o excesso de roupa, molhe a pele com água fresca e use panos úmidos em regiões como cabeça, pescoço, axilas e virilha. Não deixe a pessoa sozinha.

Se houver alteração de consciência, não ofereça líquidos, alimentos ou medicamentos pela boca. O Ministério da Saúde orienta que a insolação exige atendimento médico imediato, pois pode causar danos ao cérebro, coração, rins e músculos.

8. Observe a pele regularmente

Quem trabalha sob o sol deve observar a própria pele e procurar atendimento de saúde quando identificar uma ferida que não cicatriza, uma mancha que coça, sangra ou descama, ou uma pinta que muda de tamanho, formato ou cor.

O surgimento de novas manchas ou lesões também merece avaliação. O diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência, e o uso de pomadas ou produtos caseiros pode atrasar a procura por atendimento.

A proteção não elimina totalmente o risco, mas reduz a exposição acumulada. Por isso, roupas, sombra, chapéu, óculos e protetor solar devem ser usados de forma contínua, inclusive em dias nublados.

Responsabilidade de trabalhadores e empregadores

A prevenção não depende apenas da iniciativa individual. A organização do trabalho pode reduzir a exposição ao sol por meio de pausas, alternância de tarefas, acesso à água, áreas de sombra, treinamento e fornecimento dos equipamentos necessários.

Os trabalhadores devem receber informações sobre os riscos da radiação solar e do calor, os sinais de alerta e os procedimentos para buscar ajuda. Também devem comunicar sintomas, defeitos em equipamentos e falta de água ou de local adequado para descanso.

Adotar esses cuidados diariamente ajuda a preservar a saúde, reduzir afastamentos e tornar o trabalho ao ar livre mais seguro. A combinação de hidratação, pausas, proteção física e atenção aos sinais do corpo é a principal estratégia para enfrentar jornadas sob o sol.

Fontes oficiais

As orientações deste conteúdo foram baseadas em informações do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Câncer e do material do CDC/NIOSH sobre doenças relacionadas ao calor. O conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação de segurança ocupacional.