sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Sono e hidratação: cuidados importantes para manter a saúde no dia a dia

Sono e hidratação são hábitos essenciais para a saúde. Saiba quantas horas dormir, como organizar o consumo de líquidos, reconhecer sinais de desidratação e quando buscar atendimento.

O sono e a hidratação fazem parte dos cuidados básicos para manter o organismo funcionando adequadamente. Dormir pouco ou de forma irregular pode afetar a disposição, a concentração e o humor. Já a ingestão insuficiente de líquidos aumenta o risco de desidratação, especialmente em dias quentes, durante exercícios, em casos de febre, vômitos ou diarreia.

Embora sejam hábitos diferentes, sono e hidratação estão ligados à rotina de saúde. Uma pessoa cansada pode esquecer de beber água, enquanto o consumo excessivo de líquidos perto da hora de dormir pode provocar despertares durante a noite. Por isso, pequenas mudanças ao longo do dia ajudam a organizar os dois cuidados sem exageros.

Quantas horas de sono são necessárias?

A necessidade de sono varia conforme a idade e as características individuais. Para adultos de 18 a 60 anos, a recomendação geral é dormir pelo menos sete horas por noite. Pessoas entre 61 e 64 anos devem dormir, em geral, de sete a nove horas. A partir dos 65 anos, a faixa recomendada é de sete a oito horas. Crianças e adolescentes precisam de mais tempo de sono.

Além da duração, a qualidade também importa. Sono saudável envolve regularidade, continuidade e sensação de descanso ao acordar. A orientação dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) destaca que dormir o suficiente contribui para o bem-estar físico e emocional.

Uma noite mal dormida ocasionalmente não significa, necessariamente, um problema de saúde. A preocupação aumenta quando a dificuldade para dormir, os despertares frequentes ou o cansaço durante o dia se repetem e interferem no trabalho, nos estudos, na condução de veículos ou nas atividades domésticas.

Como melhorar a qualidade do sono

Uma das medidas mais úteis é manter horários semelhantes para dormir e acordar todos os dias, inclusive nos fins de semana. Essa regularidade ajuda o organismo a organizar o ciclo de sono e vigília. Quando possível, é importante reservar tempo suficiente para dormir, em vez de tentar compensar o descanso perdido apenas em alguns dias.

Outros cuidados que podem ajudar incluem:

  • reduzir o uso de celulares, computadores e televisão antes de dormir;
  • manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
  • evitar refeições muito pesadas próximo do horário de deitar;
  • limitar o consumo de café, energéticos e outras bebidas com cafeína no fim do dia;
  • evitar bebidas alcoólicas como estratégia para adormecer;
  • praticar atividade física durante o dia, respeitando os limites individuais;
  • adotar uma rotina tranquila no período que antecede o sono;
  • usar a cama preferencialmente para dormir, evitando transformá-la em local de trabalho ou estudo.

A recomendação do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos também orienta manter uma diferença pequena entre os horários de sono dos dias úteis e dos fins de semana. Alterações muito grandes podem dificultar o descanso na noite seguinte.

O que significa manter uma boa hidratação?

Hidratação é o equilíbrio entre os líquidos que entram no organismo e os que são eliminados. A água participa de diversas funções, como a regulação da temperatura corporal, o transporte de nutrientes e o funcionamento de órgãos e tecidos.

Não existe uma quantidade única de água que sirva para todas as pessoas. A necessidade depende da idade, do peso, da alimentação, do nível de atividade física, da temperatura do ambiente, da presença de febre e de condições de saúde. O Guia Alimentar para a População Brasileira explica que a quantidade necessária varia conforme esses fatores.

Por isso, a regra fixa de beber exatamente dois litros por dia não deve ser tratada como universal. Para muitas pessoas, a ingestão habitual de água e de outros líquidos presentes na alimentação pode ser suficiente. Em situações de calor intenso, atividade física, trabalho ao ar livre, febre, vômitos ou diarreia, a necessidade pode aumentar.

Dicas práticas para beber líquidos ao longo do dia

Uma forma simples de evitar longos períodos sem beber água é distribuí-la ao longo do dia. Deixar uma garrafa acessível em casa, no trabalho ou durante os deslocamentos pode facilitar o hábito. Também é possível associar a ingestão de água a momentos da rotina, como as refeições e os intervalos entre atividades.

A água deve ser a principal escolha. Leite, sopas, frutas e outros alimentos também contribuem para a ingestão de líquidos, mas bebidas açucaradas não devem substituir a água. Refrigerantes, sucos industrializados e outras opções com muito açúcar podem aumentar o consumo calórico sem oferecer os mesmos benefícios de uma alimentação equilibrada.

Bebidas alcoólicas não são uma boa estratégia de hidratação. A cafeína, presente em café, chás, energéticos e refrigerantes, pode exigir atenção especialmente quando consumida em excesso ou perto do horário de dormir.

Quem pratica exercício ou trabalha sob calor deve fazer pausas, procurar ambientes mais frescos quando possível e beber líquidos regularmente. Em atividades prolongadas ou com suor intenso, a reposição de sais e eletrólitos pode precisar de orientação profissional. Bebidas esportivas não são necessárias para todas as pessoas e algumas contêm grande quantidade de açúcar.

Como reconhecer sinais de desidratação

A desidratação ocorre quando o corpo perde mais líquidos do que recebe. Sede intensa, boca seca, cansaço, tontura, dor de cabeça, redução da quantidade de urina e urina mais escura podem ser sinais de alerta. O MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, também cita a diminuição do suor e a pele seca entre os sintomas possíveis.

A cor da urina pode ajudar na observação diária, mas não deve ser usada como único critério. Urina muito escura ou em pequena quantidade pode indicar que é necessário aumentar a ingestão de líquidos, embora medicamentos, vitaminas e algumas doenças também possam alterar a coloração.

Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas e indivíduos que usam medicamentos diuréticos exigem atenção especial. Esses grupos podem ter maior risco de desidratação ou dificuldade para perceber a sede. Em dias quentes, também é importante observar familiares que passam muito tempo sozinhos ou que dependem de outras pessoas para ter acesso a bebidas.

O que fazer em caso de vômitos ou diarreia

Vômitos e diarreia podem provocar perda rápida de água e sais minerais. Quando a pessoa consegue ingerir líquidos, a orientação geral é oferecer pequenas quantidades com frequência, em vez de tentar beber um volume grande de uma só vez.

Em casos de diarreia, a Solução de Reidratação Oral pode ser indicada para repor água e eletrólitos. O produto deve ser preparado e utilizado conforme as instruções da embalagem ou de um profissional de saúde. Não é recomendado improvisar concentrações de sal e açúcar sem orientação, pois uma mistura inadequada pode ser prejudicial.

Não se deve interromper a alimentação de crianças ou adultos sem orientação. Bebês, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e pacientes que não conseguem manter líquidos no estômago precisam ser avaliados com maior atenção.

Quando procurar atendimento

É necessário buscar atendimento de saúde diante de confusão mental, desmaio, sonolência incomum, ausência de urina, batimentos cardíacos acelerados, respiração rápida, tontura persistente ao se levantar ou incapacidade de beber líquidos. Esses sinais podem indicar desidratação importante ou outra condição que exige avaliação.

Também é recomendável procurar atendimento quando vômitos e diarreia são intensos, há sangue nas fezes, febre persistente, dor forte, piora do estado geral ou falta de melhora. Em crianças pequenas e idosos, a avaliação deve ser antecipada porque a perda de líquidos pode evoluir rapidamente.

Quando o problema é o sono

Dificuldade para dormir por várias semanas, ronco alto, pausas na respiração durante a noite, engasgos, despertares frequentes ou sono excessivo durante o dia merecem avaliação profissional. Esses sinais podem estar relacionados a distúrbios do sono, efeitos de medicamentos, ansiedade, depressão ou outras condições de saúde.

Não é recomendado começar remédios para dormir, suplementos ou produtos naturais por conta própria. Mesmo medicamentos vendidos sem receita podem causar efeitos adversos, dependência, sonolência no dia seguinte e interações com outros tratamentos.

Um registro simples por alguns dias pode ajudar: anote o horário em que foi dormir, o momento em que acordou, os despertares noturnos, o consumo de cafeína e álcool, os cochilos e o nível de disposição durante o dia. Essas informações podem ser úteis em uma consulta.

Como conciliar sono e hidratação

Para evitar interrupções durante a noite, distribua a maior parte dos líquidos ao longo do dia e reduza o consumo em excesso pouco antes de deitar. Essa orientação não significa restringir água quando houver sede, febre ou orientação médica, mas evitar concentrar toda a ingestão no período noturno.

Também vale observar se o quarto está muito quente ou seco. Ventilação adequada, roupas leves e um ambiente confortável podem favorecer o descanso. Em locais de clima quente, a hidratação deve ser reforçada durante o dia, sem esperar o aparecimento de sede intensa.

Na prática, cuidar do sono e da hidratação envolve regularidade, atenção aos sinais do corpo e adaptação à rotina. Beber água ao longo do dia, dormir pelo tempo necessário, evitar excesso de cafeína e álcool e procurar ajuda quando surgirem sinais de alerta são medidas simples que contribuem para a saúde.