sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Hábitos simples que ajudam a cuidar da saúde no dia a dia

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a proteger a saúde. Veja orientações sobre alimentação, movimento, sono, higiene, vacinação, saúde bucal e prevenção do tabagismo.

Cuidar da saúde não depende apenas de mudanças grandes ou de rotinas difíceis de manter. Hábitos simples, incorporados gradualmente ao dia a dia, podem contribuir para a prevenção de doenças, melhorar o bem-estar e ajudar no acompanhamento de condições já existentes.

Entre as principais atitudes estão escolher melhor os alimentos, beber água, movimentar o corpo, dormir bem, manter a vacinação atualizada, cuidar da higiene e procurar os serviços de saúde quando necessário. As recomendações devem ser adaptadas à idade, às condições clínicas, à rotina e à realidade de cada pessoa.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, reforça que uma vida saudável envolve escolhas alimentares adequadas, respeito à cultura e à realidade econômica, além de práticas que possam ser mantidas ao longo do tempo.

1. Prefira alimentos in natura ou minimamente processados

Uma das formas mais práticas de melhorar a alimentação é dar preferência a alimentos obtidos diretamente da natureza ou que passaram por poucas etapas de processamento. Frutas, verduras, legumes, feijões, raízes, ovos, carnes, leite, arroz e outros alimentos básicos podem fazer parte de refeições variadas.

O arroz com feijão, por exemplo, é uma combinação tradicional da alimentação brasileira e pode ser acompanhado de verduras, legumes e uma fonte de proteína, conforme as necessidades de cada pessoa. Sempre que possível, vale priorizar alimentos da estação e disponíveis na região, que costumam ser mais acessíveis e podem facilitar a organização das refeições.

Também é importante reduzir o consumo frequente de ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos e produtos prontos para aquecer. Esses itens podem conter grandes quantidades de açúcar, sódio, gorduras e aditivos. A orientação não significa que uma pessoa precise mudar toda a alimentação de uma vez, mas que faça substituições possíveis e progressivas.

2. Beba água ao longo do dia

A água deve ser a principal bebida da rotina. A necessidade varia de acordo com idade, peso, alimentação, atividade física, temperatura do ambiente, estado de saúde e outras condições. Por isso, não existe uma quantidade única que sirva para todas as pessoas.

Uma medida simples é deixar uma garrafa acessível durante o trabalho, os estudos ou as tarefas de casa e beber água em intervalos regulares. Bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados, devem ser evitadas ou consumidas com menor frequência.

Pessoas com doenças renais, cardíacas ou outras condições que exigem controle da ingestão de líquidos devem seguir a orientação de um profissional de saúde.

3. Movimente o corpo de acordo com a sua rotina

A atividade física pode estar presente em tarefas comuns, como caminhar, dançar, cuidar da casa, trabalhar no jardim, brincar, subir escadas ou passear com o animal de estimação. O importante é diminuir o tempo parado e encontrar formas seguras de movimentar o corpo.

Quem está sedentário pode começar com períodos curtos e aumentar gradualmente a duração ou a frequência. Caminhadas leves, alongamentos e atividades realizadas em casa podem ser alternativas para iniciar. Pessoas com limitações físicas, dor persistente, doenças crônicas ou longo período sem praticar exercícios devem buscar orientação antes de aumentar a intensidade.

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira apresenta orientações para diferentes fases da vida e destaca que qualquer movimento é melhor do que permanecer completamente inativo. A atividade física regular pode contribuir para a saúde cardiovascular, o controle do peso, a força muscular e o bem-estar.

4. Crie uma rotina de sono

Dormir bem é parte importante do cuidado com a saúde. O descanso ajuda na recuperação do organismo, na concentração, no humor e na disposição para as atividades do dia seguinte.

Para melhorar o sono, pode ser útil manter horários parecidos para deitar e levantar, reduzir o uso de telas próximo ao momento de dormir, evitar refeições muito pesadas à noite e deixar o ambiente mais silencioso, escuro e confortável. Bebidas com cafeína também podem atrapalhar o descanso quando consumidas em excesso ou perto do horário de dormir.

Insônia frequente, ronco intenso, pausas na respiração, sonolência durante o dia ou dificuldade persistente para dormir devem ser avaliados por um profissional. O uso de medicamentos ou suplementos para dormir não deve começar sem orientação.

5. Mantenha a vacinação atualizada

A vacinação é uma das principais formas de prevenir doenças infecciosas e suas complicações. O calendário inclui recomendações para crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes, com doses definidas de acordo com a idade, o histórico vacinal e situações específicas.

É importante conferir periodicamente a caderneta de vacinação. Mesmo quando uma dose está atrasada, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para receber orientação sobre a atualização do esquema. A falta da caderneta não impede necessariamente a avaliação do histórico e a busca por uma nova via.

O Calendário Nacional de Vacinação é atualizado pelo Ministério da Saúde. Como as recomendações podem mudar, a consulta deve ser feita em canal oficial ou diretamente com a equipe de vacinação do Sistema Único de Saúde.

6. Cuide da saúde bucal

A higiene da boca deve fazer parte da rotina desde a infância. A recomendação do Ministério da Saúde é escovar os dentes diariamente com escova de cerdas macias e creme dental com flúor. A escovação deve ocorrer após as refeições e antes de dormir, com atenção à limpeza de todas as superfícies.

O fio dental complementa a escovação porque alcança áreas que a escova não consegue limpar. Ele deve ser usado com cuidado para não machucar a gengiva. Também é importante reduzir o consumo frequente de alimentos e bebidas açucaradas e procurar atendimento diante de dor, sangramento persistente, feridas, inchaço ou dificuldade para mastigar.

Mais orientações podem ser consultadas na página de Saúde Bucal do Ministério da Saúde.

7. Evite o cigarro e procure ajuda para parar

Não fumar é uma das atitudes mais importantes para proteger a saúde. O tabagismo aumenta o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer, além de prejudicar pessoas expostas à fumaça.

Parar de fumar pode ser difícil porque a nicotina causa dependência. Por isso, não é necessário enfrentar o processo sozinho. A unidade de saúde pode orientar sobre estratégias, acompanhamento e tratamentos disponíveis no SUS. Marcar uma data para parar, retirar cigarros e isqueiros do ambiente e identificar situações que despertam a vontade de fumar são medidas que podem ajudar.

Em caso de recaída, o ideal é retomar o plano e buscar apoio, sem abandonar o cuidado. O protocolo do Ministério da Saúde para o controle do tabagismo recomenda acompanhamento profissional para apoiar a cessação.

8. Modere o consumo de bebidas alcoólicas

O consumo de álcool pode afetar a saúde, a segurança e a convivência familiar. Também pode aumentar o risco de acidentes, problemas no fígado, doenças cardiovasculares e dificuldades relacionadas à saúde mental.

Evitar o álcool é especialmente importante antes de dirigir, durante a gestação, para menores de idade e em situações de uso de determinados medicamentos. Pessoas que percebem perda de controle, necessidade de beber com frequência ou prejuízos no trabalho e nos relacionamentos devem procurar ajuda profissional.

9. Reserve tempo para o bem-estar emocional

Cuidar da saúde também envolve reconhecer emoções, manter vínculos sociais e procurar apoio em momentos de sofrimento. Conversar com pessoas de confiança, organizar a rotina, praticar atividades prazerosas e reservar pausas durante o dia podem ajudar a reduzir a sobrecarga.

Tristeza intensa, ansiedade persistente, isolamento, falta de interesse pelas atividades, alterações importantes no sono ou pensamentos de autolesão exigem atenção. Nesses casos, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde ou um serviço de emergência. Em situações de risco imediato, é importante acionar o atendimento de emergência disponível na região.

10. Faça acompanhamento preventivo

Mesmo sem sintomas, consultas e avaliações de rotina podem ajudar a identificar fatores de risco e orientar medidas de prevenção. A necessidade de exames varia conforme a idade, o sexo, o histórico familiar, a presença de doenças e as recomendações da equipe de saúde.

Também é importante medir a pressão arterial quando indicado, acompanhar a glicemia em situações de risco, seguir corretamente os tratamentos prescritos e não interromper medicamentos por conta própria. A unidade básica de saúde pode orientar sobre consultas, vacinação, saúde da mulher, saúde do homem, acompanhamento de doenças crônicas e outros cuidados.

Como começar sem abandonar a rotina

Mudar muitos hábitos ao mesmo tempo pode ser difícil. Uma estratégia mais sustentável é escolher uma ou duas atitudes para começar, como trocar uma bebida açucarada por água, caminhar alguns minutos em determinados dias ou incluir uma fruta na rotina.

Também ajuda planejar as compras, deixar opções saudáveis acessíveis, envolver a família e acompanhar o progresso sem buscar perfeição. O cuidado com a saúde deve considerar as condições financeiras, o tempo disponível, a cultura alimentar e as limitações de cada pessoa.

Essas orientações são gerais e não substituem avaliação individual. Pessoas com doenças crônicas, gestantes, idosos, crianças, pessoas com deficiência ou quem utiliza medicamentos devem conversar com profissionais de saúde antes de fazer mudanças importantes na alimentação, na atividade física ou no tratamento.