sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Como proteger os olhos da exposição ao sol: veja os cuidados essenciais

A exposição excessiva à radiação ultravioleta pode irritar os olhos e contribuir para problemas oculares ao longo do tempo. Saiba como escolher óculos de sol, proteger crianças, evitar danos em atividades ao ar livre e reconhecer sinais que exigem avaliação médica.

A exposição ao sol faz parte da rotina, mas os olhos também precisam de proteção contra a radiação ultravioleta (UV). A luz solar intensa pode causar desconforto imediato, irritação e lesões na superfície ocular. Com o passar do tempo, a exposição acumulada pode contribuir para problemas como pterígio e catarata.

Para reduzir esses riscos, o principal cuidado é usar óculos de sol com proteção comprovada contra raios UVA e UVB, além de combinar o acessório com chapéu ou boné de aba larga, sombra e atenção aos horários de maior intensidade solar.

Por que o sol pode prejudicar os olhos

A radiação ultravioleta é invisível e pode atingir os olhos mesmo quando a pessoa não sente calor ou quando o céu está parcialmente nublado. Parte dessa radiação é absorvida pela córnea e pelo cristalino, estruturas que podem sofrer efeitos de exposições intensas ou repetidas.

Em situações de exposição elevada, pode ocorrer fotoceratite, uma espécie de queimadura da córnea que pode provocar dor, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz e sensação de areia nos olhos. Os sintomas podem surgir algum tempo depois da exposição, e não necessariamente no momento em que a pessoa está ao ar livre.

A exposição crônica à radiação UV também está associada a alterações oculares, incluindo o pterígio, crescimento de tecido na superfície do olho, e pode contribuir para o desenvolvimento de catarata. A Organização Mundial da Saúde reconhece a relação entre a exposição à radiação ultravioleta e danos aos olhos, como catarata e lesões da córnea.

Use óculos de sol com proteção contra raios UV

O óculos de sol é uma das principais formas de proteção ocular durante atividades ao ar livre. Mais importante do que a cor ou o formato das lentes é verificar se o produto oferece proteção contra a radiação ultravioleta.

Na hora da compra, procure informações como “100% de proteção UVA e UVB” ou “UV400”. A indicação deve estar na embalagem, na documentação do produto ou ser confirmada pelo estabelecimento. Lentes escuras sem filtro adequado não protegem necessariamente os olhos.

Esse cuidado é importante porque lentes muito escuras reduzem a quantidade de luz que chega aos olhos. Com menos luminosidade, a pupila pode permanecer mais aberta e permitir a entrada de radiação caso a lente não tenha um filtro UV eficiente. Por isso, não basta escolher um modelo escuro, colorido ou de marca conhecida.

Óculos de procedência duvidosa podem não cumprir a proteção anunciada. Sempre que possível, compre em estabelecimentos confiáveis e peça informações sobre a proteção ultravioleta. Quem usa óculos de grau pode conversar com o profissional responsável sobre lentes com filtro UV, lentes solares graduadas ou alternativas adequadas para a rotina.

Prefira modelos que cubram bem os olhos

O formato da armação também influencia a proteção. Modelos que ficam muito afastados do rosto permitem a entrada de luz pelas laterais e por cima. Óculos maiores, bem ajustados e com cobertura lateral reduzem a incidência direta e indireta da radiação.

Em atividades na praia, na água, em áreas com areia clara ou em locais muito abertos, a atenção deve ser redobrada. Superfícies como água, areia e concreto podem refletir a luz e aumentar o desconforto visual. Nesses casos, modelos envolventes podem oferecer cobertura mais ampla, desde que sejam confortáveis e tenham proteção UV comprovada.

Lentes polarizadas podem diminuir o reflexo e o ofuscamento, principalmente durante a condução de veículos ou em ambientes próximos à água. No entanto, a polarização não substitui a proteção contra raios UVA e UVB. O produto precisa reunir as duas características quando a finalidade é proteger a saúde ocular.

Combine os óculos com chapéu e sombra

Nenhum acessório elimina completamente a exposição ao sol. Por isso, os óculos devem ser usados junto com outras medidas de proteção. Chapéus e bonés ajudam a bloquear parte da luz que chega diretamente ao rosto e aos olhos, especialmente quando têm abas largas.

Também é recomendável permanecer na sombra sempre que possível e evitar a exposição prolongada nos períodos de maior intensidade solar. O Instituto Nacional de Câncer orienta reduzir a exposição sem proteção, principalmente entre 10h e 16h, além de usar chapéus, óculos escuros, roupas adequadas e filtro solar nas áreas expostas da pele.

Mesmo em dias nublados, a radiação ultravioleta pode atravessar as nuvens. Por isso, a proteção deve ser mantida durante atividades externas, como caminhadas, trabalho ao ar livre, prática de esportes, deslocamentos e passeios.

Crianças também precisam de proteção ocular

Crianças passam bastante tempo em atividades ao ar livre e podem ficar expostas ao sol por períodos prolongados. Desde cedo, é importante criar o hábito de usar óculos com proteção UV, chapéu ou boné e buscar áreas de sombra.

Os óculos infantis devem ser resistentes, confortáveis e adequados ao tamanho do rosto. A criança precisa conseguir usá-los sem que a armação escorregue ou aperte. Assim como nos modelos para adultos, a prioridade deve ser a proteção ultravioleta comprovada, não apenas a aparência do acessório.

Se a criança apresentar dor, vermelhidão persistente, lacrimejamento intenso, sensibilidade à luz ou dificuldade para enxergar depois de uma exposição ao sol, os responsáveis devem procurar avaliação de um profissional de saúde.

Cuidados para quem usa lentes de contato

As lentes de contato não substituem os óculos de sol. Mesmo que alguns modelos tenham filtro UV, a cobertura é limitada e não protege toda a superfície ocular nem a pele ao redor dos olhos.

Quem usa lentes deve seguir as orientações do oftalmologista e manter os cuidados de higiene. Em ambientes com água, como piscinas, rios e mar, o risco de contaminação aumenta. Entrar na água com lentes de contato pode favorecer infecções e outros problemas, especialmente quando não são utilizadas medidas adequadas de proteção.

Também é importante não compartilhar lentes, estojos ou soluções e não usar colírios por conta própria para aliviar sintomas. Ardência, vermelhidão ou visão embaçada podem ter causas diferentes e precisam ser avaliadas quando persistem.

Não olhe diretamente para o sol

Óculos de sol comuns não foram feitos para permitir que uma pessoa olhe diretamente para o sol. A observação direta pode causar lesões graves, inclusive na retina, mesmo sem dor imediata. O risco é ainda maior durante eclipses, quando a luminosidade parece menor e pode levar à falsa impressão de segurança.

Para observar fenômenos solares, são necessários filtros próprios e certificados para essa finalidade. Óculos escuros comuns, películas, radiografias, vidros fumês e outros materiais improvisados não oferecem proteção confiável.

Como cuidar dos óculos

Manter as lentes limpas ajuda a reduzir manchas, reflexos e a necessidade de apertar os olhos sob luz intensa. Use produtos próprios ou água e sabão neutro, conforme a orientação do fabricante. Evite limpar as lentes com roupas, papel áspero ou materiais que possam provocar riscos.

Guarde os óculos em um estojo rígido quando não estiverem em uso. Lentes riscadas, armações tortas ou produtos danificados podem comprometer o conforto e a eficiência do acessório. O desgaste não significa automaticamente perda do filtro UV, mas é um sinal de que o item deve ser avaliado ou substituído.

Quais sintomas exigem atenção

Após exposição intensa ao sol, procure atendimento se surgirem dor ocular forte, visão embaçada, perda de visão, sensibilidade intensa à luz, vermelhidão persistente, secreção, manchas no campo visual ou sensação de corpo estranho que não melhora.

Também é importante buscar avaliação quando os sintomas aparecem depois de atividades com reflexo intenso, como permanência prolongada na água, na areia, em locais muito claros ou diante de fontes artificiais de radiação.

Até ser avaliado, evite coçar os olhos, utilizar colírios por indicação de terceiros ou tentar retirar objetos da superfície ocular. Compressas frias sobre os olhos fechados podem aliviar o desconforto em alguns casos, mas não substituem a avaliação profissional quando há dor, alteração visual ou sintomas intensos.

Proteção deve fazer parte da rotina

Proteger os olhos do sol não depende de uma única medida. O ideal é combinar óculos com proteção UVA e UVB, chapéu ou boné, sombra e redução do tempo de exposição nos horários de maior intensidade. O cuidado é especialmente importante para pessoas que trabalham ao ar livre, praticam esportes, passam muito tempo na água ou ficam frequentemente em ambientes com superfícies refletoras.

As recomendações gerais de proteção solar podem ser consultadas em materiais do Instituto Nacional de Câncer e da Organização Mundial da Saúde. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre o modelo de óculos mais adequado, procure um oftalmologista.